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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021
AMOR E FIDELIDADE REVIGORADOS COMO DE MÃE
Mãe, mulher forte e valente que está ao lado do(a) Filho(a), sempre fiel e acompanha o rebento, mesmo que seja abandonado ou condenado. Quantas mães continuam ao lado dos filhos censurados pela rejeição, pela discriminação, pela indigência, pela miséria, ou pelas injustiças da coletividade com paciência e força? Quantas mulheres que lutam para construir um mundo melhor, que levam adiante projetos alternativos de vida e são geradores de vida? Mães “chefes” de família, que vivem pelos seus filhos e infundem neles valores para que sejam pessoas de bem? Interessa-se pelo que o filho gosta, tudo reajusta, incluindo as adversidades. Mãe, mulher que gera e conserva a vida, sempre solícita pelos que geraram, tem capacidade de enfrentar as dificuldades da vida com um espírito forte, valente, esperançoso e lutador. Para que o mundo seja melhor, que haja paz, todos devem ter a dignidade de cada mulher mãe.
sábado, 9 de maio de 2020
MINHA MÃE
Se existe alguém que teve uma mãe maravilhosa, espetacular, humana, carismática, possuidora de uma enorme empatia sou eu. Minha mãe era a primogênita de nove irmãos e foi meio mãe de seus irmãos menores. Todos a chamavam com carinho de “Dinha” abreviatura de madrinha, certamente. Acredito que sua maior qualidade tenha sido a paciência, nunca soube que tenha se alterado por qualquer motivo. Foi a criatura mais elevada que conheci com capacidade extrema de manter-se tolerante.
Todo ano no dia dedicado às mães presenciamos os agradecimentos de inúmeras formas: em casa, na escola, com um presente, um cartão, com um sorriso. Se há alguém no mundo merece agradecimento é minha mãe, porém meu agradecer desde 30 de janeiro de 1967 tem sido com saudade, com lágrimas silenciosas e com uma prece. O meu agradecimento é principalmente pelo exemplo de perdão e calma e pela confiança que em mim depositou quando me recomendou tudo fazer para que seus filhos pudessem ter o que ela nunca teve: estudar para melhor aplicação da inteligência e mais compreender o desconhecido.
Minha mãe vivia para o outro seu desapego e sua “mão aberta” estendida aos necessitados foi o maior exemplo que tive. Sua partida para a eternidade tão cedo, certamente, muita coisa deixei de aprender. Além disso, muitas palavras devem ter passado despercebida, muita sabedoria sem ser observada. Hoje só tenho a agradecer a Deus pelo bem que ela fez, pelo perdão que espalhou, pela bondade que compartilhou, pela vida que doou, pelo amor que construiu e pela lembrança meiga e tranqüila que tudo isto me traz. Sua inteligência emocional aflorava! Era boa ouvinte e respeitosa, mas segura quando pensava diferente, confiante, no entanto, cabreira, curiosa, às vezes preferia ficar incógnita, destemida e corajosa, mas chorava, empática e comprometida, focada, as vezes dispersa, independente e generosa, justa e tolerante, meiga e forte, otimista, entretanto a vi sentir-se derrotada, paciente e possuidora de fereza, persistente, todavia cabeça dura, resiliente, porém frágil, extremamente ética e solidária, eras única!
Ainda hoje, quando já se passou mais de 50 anos, ainda encontro pessoas que manifestam agradecimento pelo bem que realizou. Outro dia encontrei com uma senhora que me reconheceu e disse: “Sua mãe salvou a vida de meu irmão” com demonstração de muita alegria e reconhecimento. Quando se identificou me recordei claramente: na década de 60, na vila onde morávamos, era comum o que chamavam de “Mal de Sete Dias” que vitimava muitos bebês ao sétimo dia de nascido. Ali só havia um senhor que vendia alguns medicamentos mais comuns. Minha mãe viu uma senhora passar pela rua onde morávamos com um bebê e se dirigir a casa daquele senhor. Em poucos minutos voltava com um semblante de conformismo e tristeza. Ao notar o desânimo mamãe perguntou: “O que foi?” A senhora respondeu que o bebê estava morrendo de “Mal de Sete Dias”. Está sem conseguir mamar, nem abre a boca, está endurecendo o corpo e enrolando as mãos. Parece que está com febre. Mamãe pediu para vê-lo. Desembrulhou o bebê e pediu-me que fosse até a horta trouxesse uma folha de fumo, folhas de alecrim e esquentasse azeite de mamona. Limpou o umbigo com água oxigenada, massageou a barriga com azeite morno, cobriu com uma folha de fumo morna, deu-lhe um chazinho de alecrim com outros ingredientes naturais que desconheço o que eram e, em uma meia hora, podia perceber a melhora. “Ele vai viver!” Pode levar pra mamar. Hoje o que sei é que o tal “Mal de Sete Dias” nada mais é que “tétano neonatal” que é tratado com miorrelaxantes potentes e cuidado em UTIs. Para nós era normal aquela mulher simples, analfabeta, curar doenças com remédios caseiros, ouvir, aconselhar e ajudar quem a procurava. Tinha também um sexto sentido e se prevenia de ocorrências ruins ou se preparava para as boas. A mais comum era preparar o prato preferido de meu avô, o pai dela, que morava em uma fazenda a um dia de viagem em sua mula e ele realmente aparecia sem que ela tivesse sido avisada.
A lembrança de minha mãe com sua simplicidade e sabedoria foi capaz de me fazer mais forte como mãos a me segurar e proteger. Sua confiança em Deus, sua coragem, foi meu exemplo de vida para enfrentar qualquer obstáculo. Quando dizia que praga nenhuma, mal olhado, inveja, peste, calamidade, seria capaz de atingir a quem se cuidasse fazendo bem a sua parte sem se dominar pelo medo, ainda ajuda-me a enfrentar os problemas da vida. OBRIGADA MÃE!
sábado, 2 de novembro de 2019
CONVERSA COM MINHA MÃE - ANTELÓQUIO
Em 2017 resolvi fazer como águia, aos 40 anos ela toma uma decisão, com as unhas compridas, dificuldade para agarrar as presas; bico pontiagudo e adunco; asas com penas desgastadas, dificuldade para voar, resolve renovar: voa para uma montanha, arranca o bico, as unhas, e as penas velhas. Após meses sai renovada para viver mais 30 anos. Busco desprender do passado, morando sozinha, conversando com os meus fantasmas, trocando idéias com eles, desabafando com eles, resolvi escrever a conversa com um dos meus fantasmas queridos. Ainda que nutando sempre desejasse ter contato com a minha mãe após sua ortotanásia resolvi mesclar com uma fantasia muito sonhada. Considerando-se que ouvi muitas histórias de contatos dos vivos com os mortos, e como já vivenciei coisas estranhas como observar luzes no cemitério e venho tendo contatos com crianças que vêem luzes em minhas mãos e tios invisíveis, sonhos e presságios reveladores, sempre acreditei que esse dia ia chegar, e chegou! No dia do meu aniversário fiquei pensando muito nela e mais uma vez comecei a imaginar como seria bom se ela viesse me visitar. Às 6 horas da tarde ouvi a voz inconfundível de mamãe, proferindo aquela última palavra que pronunciou quando teve aquele mal súbito que a levou. Ela me chamava como chamou naquele dia, porém, em vez de transmitir pela voz impotência diante do prenunciado, dessa vez sua voz era meiga e suave como sempre foi. Quando ouvi aquele “Rosinha” com muito carinho, tive certeza que era a voz de mamãe. Minhas pernas titubearam, meu coração disparou, uma nuvem de luz impedia minha visão. Aos poucos aquele enevoamento de luminescência começou a se abrir e em seu lugar surgiu um arco-íris e embaixo dele uma criatura esplendorosa, iluminada e radiante. Era mamãe. Tive que me abaixar senão eu cairia. Aí ouvir a voz de mamãe a me dizer: Levante, lembra que eu lhe dizia que você deveria ter muita coragem e valer por duas? Levantei e tentei me aproximar para abraçá-la. Ela me disse: você só pode me abraçar com seu sentimento, sua emoção, sua imaginação. Porque demorou tanto mamãe? Ela respondeu: Como passei mais de 3.000 dias te preparando para minha morte e o que viria depois, foi estabelecido que esta fosse a quantidade de vezes que você deveria me chamar para que eu viesse. Vim para conversar, mas quero que disserte sobre palavras que vou sugerindo. Acredito que vai ser como uma desopressão. Vai fazer bem verbalizar as boas reminiscências, boas lembranças, mas também as decepções as frustrações para reduzir o estresse para ajudá-la a melhorar a qualidade de vida.
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