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sábado, 10 de agosto de 2024

Pai Inventivo: Uma Jornada de Engenhosidade

Selecione e ir até: https://drive.google.com/file/d/1CkvSyDdKSy2CrMv40wRnMKtQMaUMydHW/view?usp=drive_link
Obs.: alguns capítulos em vídeos - https://www.youtube.com/@rosadesiqueirajacominesp UM LIVRO INCITANTE Uma justa homenagem prestada ao ser humano movidos pela curiosidade, mais honesto e criativo que já conheci, meu pai. Expõe um bocado de sua surpreendente trajetória nesta terra, bem como um pouco de seus usos e costumes, de seus valores e princípios e sua forma especial de ver, tratar e conclamar as infinitas possibilidades humanas, buscando constantemente conhecimento e novas experiências. Desconheço qualquer pessoa que tenha tido tantas profissões como ele. Estes escritos buscam sedimentar, minha admiração por ele e pelo que ele fez para consolidar a construção de um mundo mais humanizado e mais perfeito. Trabalhou pela justiça social e direitos humanos. Sua vida é um convite para segui-lo e imita-lo. O que mais me inspira, é sobretudo, sua versatilidade e seu jeito humano de viver, na busca de expandir a sua compreensão do mundo e abraçar as aventuras da vida, para construir uma sociedade melhor e mais justa. 7

sábado, 6 de maio de 2023

NOSSO ETERNO DIVININHO
DIVINO significa literalmente “aquilo que tem natureza divinal” ou “proveniente de Deus”. Sempre lhe considerei uma pessoa admirável, quando você, a Helena e um lindo bebê foram visitar-me, quando meu filho Gabriel nasceu, você o sentou na mão e o elevou acima da cabeça e o sentou no sofá, ele tinha apenas um mês de vida. Ao invés de me preocupar, eu entendi que estava fazendo uma sagração do meu filho para que fosse capaz de erguer-se diante de tudo, o que foi e está sendo comprovado. Ele supera desde pequenos enganos, até grandes dificuldades ou maldades! Às vezes é pequeno e a gente o vê ou entende como grande. (Como ocorreu com você quando era criança) que chamava seu pai, dizendo que havia um bicho encolhendo e ele apareceu com um Machado. Era apenas uma lesma. Desde que, foi concretizado o que mamãe dizia com relação à morte dela, que ocorreria no início de 1967 e que ela seria uma das primeiras a ser sepultada no novo cemitério, venho pesquisando evidencias de que antevisões fora do comum de acontecimentos, inexplicáveis pelas leis naturais, acontecem e cada vez mais estou convencida que tudo começa com o pensamento, a palavra e podem até, ocorrer revelações em sonhos (acordado ou dormindo): o que quero, ser, ter e fazer é criado antes no mundo invisível. Há vários nomes, tais como: A força do poder mental, Lei da atração, Providência divina, O poder do subconsciente, Milagres da mente, A força do poder da fé, Poder extra-sensorial, Poder cósmico da mente e outros. Muitos entendem como: um acaso, coincidência, destino, carma, era para acontecer, inspiração, sincronicidade. O certo é que, tenho vivido e vivenciado experiências de outros, que evidenciam a força do querer, do acreditar. O que sentimos se transformam no que idealizamos. O poder do pensamento intuitivo, ver além de pressentimento, sexto sentido, a inteligência infinita, possibilita até ler o subconsciente de outros. As consequências de nossos pensamentos, palavras e atos se dilatam, tem consequências que podem nos afetar agora, ou no futuro. Conosco também aconteceu Divininho. No dia no enterro da Maura você sentou ao meu lado e disse que tinha medo de morrer e ninguém ir ao seu funeral. Eu lhe disse que ficasse tranquilo, eu iria. Você até se levantou e disse: “Que isso!? ” Eu lhe disse: você, na fila, está na minha frente. Foi uma brincadeira, mas você teve Covid, melhorou e partiu no dia em que foi declarado o fim da emergência de saúde global e, certamente, cumprirei a promessa. O ser humano abriga Deus, sua presença está dentro de cada um de nós, uma força subconsciente governa as ações externas. Quando pensamos, desejamos, acreditamos, estamos mentalmente o descobrindo. Quando se usa o poder oculto interior isso engrandece tudo na vida, reivindicamos e evidenciamos o que há de melhor, a paz dentro de nós. Somos capazes de atrair experiências, condições e eventos para a vida. Com ampliação, animação, criação, desenvolvimento, inventividade, motivação e paixão, todas as coisas se manifestam. É necessário uma união consciente e subconsciente com o desejo. Se ambos estiverem de acordo resulta no lado criativo mental e espiritualmente, bem como, fisicamente, mudamos o exterior, modificando o interior. O externo é sempre um reflexo do interno, “como é dentro, assim é fora”, colhemos o que semeamos, com profunda convicção, ao pensar no mal, o mal se seguirá, se pensar no bem, o bem se seguirá. Devemos medir e capturar na mente a bondade infinita e o amor de Deus. Os cientistas estão buscando explicações como a Biologia da crença e prece científica. Cabe a todos nós desenvolvermos, disciplinar esses poderes para que surga na Terra homens Divinos que se destacarão. Você agora meu primo Divininho, é o Divinão de Deus e de todos que te conheceram, jamais te esqueceremos!

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

HOMENAGEM A MÉDICOS

 

MÉDICOS SEMEADORES DE AMOR

Quando a mídia destaca acontecimentos ruins e pessoas más parece que estamos perdendo a afeição natural. Embora seja considerado por alguns, repetitivo, maçante, patético, ingênuo e piegas, repetir, que gentileza gera gentileza, precisamos semear amor, disseminar doçura através de pequenos gestos. Jamais tratar ninguém de modo indigno. Fazer com que todo aquele que cruzar nosso caminho possa voltar para casa se sentindo amado por nós e tendo uma ideia de que existem muitos bons que fazem muito bem pela vida afora. Sempre é válido repetir jamais te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem. 

Uma das profissões que mais demonstra com atitudes, estes sentimentos, neste momento fatídico, que a humanidade vem enfrentando, são os médicos que merecem nossa homenagem e agradecimento eterno. Vou mencionar um desses heróis: Com 15 anos, residente em Mozarlândia-GO, comecei a sentir fortes dores abdominais, com febre e vômito. Comecei a usar bolsa com água quente o que piorava a dor. O hospital mais próximo era em Rubiataba que hoje leva em torno de 3h e 30min para chegar. Naquela época era estrada de chão e demorava bem mais. A Diretora da escola onde eu trabalhava começou a desconfiar de apendicite. Era urgente procurar o hospital. O Pároco possuía um JEEP a quem foi solicitado que me levasse. Acho que levou quase 5h. Confirmado o diagnóstico, sem nenhum questionamento ou exigência financeira foi realizada cirurgia de emergência pelo Dr. ? Bafutto. Na primeira visita ele me informou que eu ficaria, pelo menos, cinco dias internada e só poderia viajar quinze dias após a cirurgia. 

No dia da alta eu estava muito preocupada de como iria pagar o hospital. Como era muito atencioso já sabia que eu era professora. Quando perguntei quanto era minha divida a bela surpresa que tive foi que eu nada devia. O salário atual de professor naquela cidade é de R$2.110,12 e o custo total atual de um tratamento como aquele que recebi gira em torno de R$12.000,00. 

Jamais esquecerei aquele gesto de humanitarismo e meu agradecimento é eterno ao Dr. ? Bafutto a quem presto homenagem neste dia do médico. Um ser humano inigualável, bom ouvinte, empático, competente e com um diferencial o aspecto “humano”. 

Dois anos depois me mudei para o DF para estudar e também encontrei excelentes médicos como a inigualável Dra. Josiane, ginecologista e o sui generis Dr. Walbron, ortopedista. Doutores, vocês estarão sempre no meu coração. Minha gratidão eterna.


HOMENAGEM AOS PROFESSORES

O passado corre atrás da gente, especialmente a lembrança das pessoas que encontramos pela vida afora. Hoje minha homenagem vai para pessoas com as quais me deparei e que são super especiais. Elas escolheram a profissão mais importante do mundo. São seres capazes de ampliar os horizontes do outro, sabem que suas palavras têm vida e assim que são ditas começa a criar realidade, pois o que se aprende jamais some, nunca se apaga, ninguém pode roubar e sempre é passado para outros... Assim, educar é exercício de eternidade. 

Resolvi relembrar alguns nomes representativos de tantos que hoje estou homenageando, desejando saúde, paz e agradecendo de todo coração. 

É claro que os primeiros são meus filhos, professores dos quais tenho enorme orgulho: Gabriel e Natalia. 

E meus professores: Tereza, Conceição, Lea, Edelzuita, Goes e tantos outros.

E os que acreditaram na minha iniciativa de criar uma escola diferente: solidária, alegre, afetividade plena e compactuaram comigo minhas ideias e meu pensar educação: Ana Paula, Ana Paula, Anna Paula, Analice, Andréia, Antônio, Carla, Cláudia, Dulciane, Eliete, Elis, Elisabete, Eva, Evelin, Francisca, Francisca, Graça, Gracielle, Isabel, Juliana, Karla, Lucilene, Regina, Socorro, Valdinete, Vanessa, Vânia, Vilmacy e outros que possa ter esquecido. Saibam que seus atos ficaram indelevelmente marcado no meu cérebro e coração.

E as dezenas que participaram conosco dos eventos de aperfeiçoamento e desenvolvimento. Aprendi muito com eles.

E os que descobri serem professores: Cezio, Lia, Rosangela, Edineide, Hedir, Ana Paula, Leonardo e tantos outros.

PARABÉNS PROFESSORES

ROSA

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

DIA DA CRIANÇA

 

Neste dia da criança, atípico para a humanidade, em que todos sem exceção fomos arrancados de nossa rotina e confinados em nossos lares sob a ameaça de um inimigo invisível e as pessoas pequenas, sem poder ir à escola, neste período da vida em que os intercâmbios sociais e experiências físicas são tão importantes, fico a recordar as experiências que tenho vividos com as criaturinhas com as quais venho convivendo nesta minha jornada na profissão de professora e agradecer as centenas de crianças com as tive e tenho a felicidade de conviver.

Para reflexão cito uma das ocorrências mais emocionantes que vivi.

Eu era proprietária de uma escola na periferia do Distrito Federal, setor com poucas instituições com período integral, sem todas as condições exigidas para atendimento integral. Eu tentava explicar a uma mãe que insistia no atendimento o dia todo, os motivos que impediam o atendimento:

-        Nossa cozinha precisa se adequar as normas legais, falta Sala de Múltiplas atividades, precisamos de profissionais específicos...

Uma pequena estudante, de três anos, que ouvia a conversa no colo da Secretária da escola resolveu dar sua opinião dizendo:

Mas carinho tem...

A mãe indagou incrédula.

-      O que?!...

Ela repetiu com segurança e alegria:

-      Mas carinho teeem!...

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

DIA DO CERRADO

Nasci na mata e sou cerrado. Cresci numa vila no cerrado, vivo há 50 anos no grande pássaro do cerrado, Brasília. Morei em suas asas e optei pelas Regiões Administrativas, circunvizinhança, estou na quarta delas.  Continuo filha do cerrado.  Sou casca grossa e passo longe de ser madeira de lei sem, no entanto, deixar de buscar o que é de valor. Já estou rugosa, como as árvores do cerrado, nelas a casca grossa e rugosa são características que surgiram para proteção quanto às intempéries climáticas, até do fogo. Em mim a rugosidade pressupõe experiência e busca de conhecimento que tem me protegido de muitos males e me ajudado a continuar com capacidade de amar e de adaptar às intempéries da vida, as mudanças de valores e as novas tecnologias.

Assim como as árvores do cerrado procuram água nos lençóis mais profundos para mitigar sua necessidade, que tenhamos nós raízes densas, produzindo suporte para encalçar a esperança quando faltar água na superfície. Que mostremos nossa beleza com atos como fazem as árvores do cerrado com a infinidade de suas flores em período de seca e seus deliciosos e variados frutos, ainda que em terra de baixa fertilidade, são 200 mil variedades de espécies de plantas, e que produzamos frutos geradores de paz. Por pior que seja a paisagem, que sejamos destaque com o bem.  Que acolhamos todos os seres e tenhamos uma importância fundamental pra vida de todos os seres que nos procuram e passemos a ter para eles um valor precioso. No cerrado são 320.000 espécies de animais.  

Viver até morrer nas alturas deste planalto central (1.172 m) com arquitetura branca e moderna, na busca de verter paz como as águas límpidas, puras e copiosas desta savana mais rica do mundo em termos de biodiversidade, e é a caixa d’água do Brasil, pois abriga diversos ecossistemas e, sobretudo, as nascentes de oito bacias hidrográficas Brasileiras entre as quais as três maiores bacias hidrográficas da América do Sul: Bacia Amazônica/Tocantins, Bacia do rio São Francisco e Bacia da Prata.

sábado, 8 de agosto de 2020

APRENDI COM PAPAI

 APRENDI COM PAPAI

Aprendi com papai a ser curiosa, imaginar, criar, inventar -  Vivia inventando engenhocas para  melhorar a vida. “O amor é criativo até o infinito.” Pe. Vicente de Paulo

Aprendi com papai acreditar que tudo que o outro faz eu também posso fazer - Possuía inúmeras profissões – “A pior profissão é aquela de não ter nenhuma profissão.” Cesare Cantù

Aprendi com papai a ser autodidata.  “Não é só o diploma que forma o profissional. Só o amor à profissão pode fazê-lo, mesmo àqueles que não tiveram a instrução formal das faculdades.” Jacqueline Collodo Gomes

Aprendi com o papai que esforço vale mais que inteligência. “O homem é que faz sua profissão; a sua astúcia é que a eleva; a sua honestidade é que a enobrece.” José de Alencar

Aprendi com papai a valorizar a honestidade – para ele um dos valores mais importantes. Pessoas honestas são justas, empáticas, sinceras e respeitam as diversas opiniões, permite edificar relacionamentos respeitosos e positivos, é capaz de transmitir segurança e motivar bem-estar. Envolve agir com honra conforme princípios morais. Ser honesto leva à equidade que proporciona paz; e responsabilidade –  um dever e um direito de todas as pessoas. Ser responsável significa ter a capacidade de cumprir com os seus compromissos, por menores que sejam. É um valor que inclui cumprir as obrigações, sem terceirizar a culpa.  Uma pessoa responsável é confiável, pois cumprirá com as obrigações assumidas. 

Aprendi com papai a ler muito, pesquisar, refletir e meditar. “A verdadeira profissão do homem é encontrar seu caminho para si mesmo.” Hermann Hesse

Aprendi com papai que é melhor ser louca do que mentirosa. Muitos vão mentir pra você. Aprenda a lidar com isso. O mentiroso faz mal a si mesmo. "Eu não sei" serve como resposta.

Aprendi com papai planejar, (ele chamava de matutar) reutilizar, reaproveitar e economizar. Vivia repetindo: “A economia é à base da prosperidade.”  

Aprendi com papai nunca desistir de um sonho. Peleje, corra atrás, realize. Nunca desista, pois nada é impossível quando incluímos força e fé.

Aprendi com papai a ter fé em mim mesmo, ele tinha.  

Aprendi com papai que existe diferença entre dar e emprestar. Contava uma história que terminava assim: - Menino volta e diga a teu pai que se “vai e vem” fosse e viesse, “vai e vem” ia, mas como “vai e vem” vai e não vem, “vai e vem” não vai.

Aprendi com papai: perdoar é diferente de esquecer e justiça é diferente de vingança.

Desisti de aprender com papai: tocar viola e ser pé de ouro na dança.

Papai, a forma como partiu foi um golpe duro para toda família, mas parece que foi ontem. O que fez nesta terra te tornou eterno, imortal. Você partiu, de verdade? Ainda sinto sua presença e seguro na tua mão quando os perrengues surgem.


E você o que aprendeu com seu para me ensinar?

terça-feira, 16 de junho de 2020

AGRADECER, O QUE SIGNIFICA?

Dizer “obrigado” após uma gentileza deve fazer parte da postura das criaturas humanas. No entanto, agradecer é também reconhecer o apoio, demonstrar apreço principalmente quando é ajudado sem interesse nem obrigação de quem o faz quer seja algo imenso ou minúsculo. “A gratidão não se expressa apenas quando se recebe ajuda, mas quando se ajuda.” Além de agradecer as pessoas, agradecer a por tudo que se recebe. Todos dependem uns dos outros, dos familiares, dos amigos, dos clientes. Estudos e pesquisas vêm demonstrando que o sentimento de gratidão está relacionado com satisfação com a vida, autoestima, empatia, esperança, felicidade, otimismo, vitalidade, e outros bons sentimentos, enquanto a ingratidão está relacionada com angústia, desânimo, inveja, isolamento e materialismo. Os que agradecem renovam suas forças, sobem com asas de águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam. Isaías. "Com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido vos medirão também." Vicente nos dá um grande exemplo desta dimensão. “Além de fazer as boas obras, é preciso enriquecê-las pelo mérito da mais nobre e pura intenção de agradar...”. “Há duas coisas em mim: a gratidão e a incapacidade de deixar de elogiar o que é bem feito.” (Abelly, III, p. 208). “Lembremo-nos de nossas origens e encontremos motivos de louvar a Deus”. (S.V.P. Coste X, 342). “Nunca devemos fazer alguma coisa, nem deixar de fazê-la, pelo que os outros irão dizer.” (S.V.P. Coste XIII, 687) “O que temos que fazer é agradecer igualmente por qualquer estado, seja de alegria ou de consolação, seja de tristeza ou de aflição, e amar todos esses estados...” (SV XI, 366-367) SÃO VICENTE DE PAULO – NOSSO PADROEIRO – pág. 43 –

sábado, 6 de junho de 2020

INESQUECÍVEL EDELZUITA

MUDOU MINHA VIDA PARA SEMPRE Acabara de completar quinze anos, mamãe morrera a menos de um ano, papai casara novamente. Éramos oito filhos: seis de mamãe e papai, uma prima que morava conosco e um do primeiro casamento de meu progenitor. Eu desde pequena queria ser missionária e chegara a hora. Há vinte e três quilômetros dali, uma Prelazia recém-criada recrutava colaboradores. Deixei meu cargo de Professora Municipal e para lá me mudei. Matriculada no então denominado Admissão ao Ginásio precisava ser classificada dentro do número das vagas existentes para estudar. A concorrência era grande e eu tinha dificuldades com uma tal de análise sintática que no dizer de Paulo Leminski é uma tortura requintada, um tormento sofisticado. Tem que descobrir quem é o sujeito que às vezes é um sujeito inexistente, será que é faltante? ou oculto que se escondeu, estará camuflado? Por felicidade minha, a professora era daquelas que se pode dizer que era o máximo, maravilhosa, excelente. Uma das melhores pessoas que encontrei pela vida. Era atenciosa, dedicada, empática, simpática, zelosa, e me convenceu a dedicar com afinco a estudar Língua Portuguesa e até achar interessante “análise sintática”. Seu proceder aumentou meu encantamento pela busca do saber. Se tivéssemos muitas professoras como ela a educação seria, certamente muito mais efetiva. Até mesmo quando me encontrava pelas ruas da pequena Rubiataba, me dirigia questionamentos e me orientava. O resultado foi que minha nota em Português foi 9,6 e, como consequência, ganhei uma bolsa d estudos. Sete anos se passaram até o dia em que entrei numa sala de aula para cursar Pedagogia numa Faculdade do Distrito Federal. Iniciaram-se as apresentações dos estudantes, em ordem alfabética, e eu como uma das dezenas de Marias, seria das últimas a se apresentar. Levanta então uma linda senhorinha e começa: meu nome é Edelzuita. Me assusto, meu coração dispara, será que é realidade? Do sobressalto seguiu-se a alegria, era ela Edelzuita Leal Ivo, minha professora do Admissão ao Ginásio, que orgulho. Em nosso convite de formatura de Licenciados em Pedagogia, lá está o seu e o meu nome a sua e a minha figura sorridentes na foto.

sábado, 10 de agosto de 2019

PAI DE TODOS , UM SANTO ALEGRE E BRINCALHÃO

Os pais são os seres muito importantes em uma vida. A marca indelével que são capazes de deixar jamais se apagará. Esta é a mais importante das tarefas humanas: gerar, prover, orientar e amar seus rebentos. Alguns mesmo sem gerarem filhos são pais, são santos pais. Todos, certamente, conheceram ou conhecem criaturas santas pelo caminho da vida. Tive a honra de conhecer e trabalhar com Dom Juvenal Roriz que foi uma dessas pessoas. Era um religioso cheio de sabedoria, ativo, criativo e de provado valor eclesial, bondoso, misericordioso e compassivo. Em Roma, laureou-se em Filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana, primeiro membro da Província a alcançar oficialmente o título de doutor. Pregou missões em vários Estados do Brasil, foi pároco da 1ª Paróquia Redentorista de Brasília\DF. Dom Roriz, além de muito inteligente e vivo, era alegre, expansivo, brincalhão,  gostando de aprontar peças com as quais se divertia, dando boas risadas ao contá-las. Ninguém desconfiava das terríveis dores na “cacunda” que sentiu durante quase toda a vida, Dom Roriz teve um infarto ao participar da Assembléia Geral da CNBB em Itaici e mesmo com o coração operado, nunca parou de trabalhar. Tinha também sérios problemas de vista. Nada, nenhum problema de saúde foi capaz de tirar-lhe o bom humor e a alegria de viver e de ser pai espiritual de muitos. Mesmo sem sentir-se bem, em 1994 participou com entusiasmo dos festejos, em Aparecida. Em dezembro do mesmo ano, os médicos acharam que deviam operá-lo novamente do coração, durante a cirurgia ele não resistiu e veio a falecer. Ele fez da Igreja de Rubiataba uma Igreja Missionária e alegrou-se com a transformação da Prelazia em Diocese. Aí teve que construir tudo: patrimônio, formar o clero, conseguir colaboradores religiosos e religiosas, cuidar do Seminário Diocesano, etc. Ele deixou para a Igreja o Instituto Missionário Mãe de Deus, que se tornou Sociedade de Vida Apostólica. Foi sepultado em Rubiataba dia 14 de dezembro. Estava com 74 anos de idade, 54 de Profissão Religiosa, 48 de sacerdócio e 27 de episcopado. Conta-se que para enterrá-lo atrás do altar ocorrera o milagre da multiplicação da terra. De sua sepultura sairam algumas arrobas de terra, que, ao ser retirada, aparecia novamente. Para os que o conheceram foi o milagre da transformação simbolizando todas as boas obras que soube multiplicar por onde andou, sorrindo e brincando com e entre as dores e as dificuldades de várias ordens em seus quase 75 anos de vida. O que mais me impressionava era a forma de enfrentar as dores e como era capaz de se alegrar enquanto seu corpo e até sua alma passava por situações consideradas impossíveis de serem suportadas. De onde vinha tanta força? Da fé que lhe dava a certeza de que: “O difícil se resolve logo, o impossível demora um pouco.”

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Homenagem a minha mãe

MÃE - CUBOS COLORIDOS Existem sonhos e sonhos. Nunca me esqueci de um sonho quando era adolescente. Sonhei com mamãe encostada em uma parede e de repente se desfez em uma infinidade de lindos cubos coloridos. Porque cubos? E as cores? O que significam? As arestas, ou seja, os encontros, as esquinas, as faces do cubo são todas congruentes, concordantes, harmônicas e coerentes. Ela desejava que fôssemos assim. Hoje fico imaginando que os cubos são os herdeiros que vem se multiplicando com o passar do tempo. Dos seis filhos dela já são treze netos e alguns bisnetos e ainda, que as cores possui significados próprios, como por exemplo: “Vermelho é a cor do amor; laranja, da energia; amarelo, da alegria; verde, da esperança; azul, da tranquilidade; branco da paz...” Na vida de cada um de nós era o que ela desejava. Mamãe foi como uma lâmpada brilhou e, de repente, desligou. Sua vida foi marcada por perdoar, ajudar, socorrer, proteger, assistir, colaborar, apoiar, cooperar, contribuir, participar, interessar-se e acolher o outro. Estava a exercer várias funções até o momento do término da sua vida que foi distinguida por: criar, produzir, realizar e executar. Ela dizia: “Tudo que outra pessoa faz eu também posso fazer.” Era autodidata e dizia: “Quem quer, sopesa o feito e faz igual e até melhor.” Naquele dia, para mim fatídico, funesto e profético, foi o mais trágico que vivi. Presenciar sua morte provocou sentimentos terríveis e inexplicáveis, uma enorme aflição, uma grande amargura que acendeu uma tristeza gigantesca e foi antevidente, pois ouvi dela, inúmeras vezes que iria morrer aos trinta e nove anos. Gerou o maior desafio de minha vida, deveria fazer “das tripas coração” para cumprir o que me solicitou: estudar, auxiliar e orientar meus irmãos para que também estudassem. Sinto que deveria ter feito mais. Ela que era analfabeta, porém culta e sábia, iluminada, informada, entendedora, experiente, conhecedora e cheia de sabedoria foi à melhor pessoa que conheci.

domingo, 30 de dezembro de 2018

Um mundo novo

Recebi na rua panfleto cujo título era: "Admirável Mundo Novo". Somente lendo o titulo comecei a pensar quem o construirá? Eu que, seguramente, já vivi mais de dois terços da minha vida, sempre quis deixar um mundo melhor para meus filhos e demais descendentes. O que tenho certeza é que estou deixando uma filha melhor para o mundo. Pessoas como ela, certamente, estão a participar da construção deste o mundo novo. Neste mês ela completa mais um ano de vida, ela que é meu belo e valoroso presente. Se ela inexistisse faria muita falta em minha vida e no mundo. Comecei a procurar no baúzão do meu cérebro quais seriam as outras pessoas que conheço que também participam de modo mais efetivo desta melhoria do mundo. Lembrei-me de dezenas delas. Uma das que muito me impressionou desde garota, uma jovem, hoje, ceamos juntas no Natal. Sempre me lembrarei de alguns anos atrás quando ela me encantou ao falar da importância da preservação do meio ambiente, demonstrando uma enorme consciência ambientalista. Este ano, percebi que ela não tem somente uma postura ambientalista, seu posicionamento político é incrível. Sei bem que existem muitas pessoas convictas da necessidade de melhorar o mundo, mas hoje quero homenagear essas duas mulheres: Parabéns Natalia pelo seu aniversário e por ser quem você é. E, a você Danyella Coutinho, minha admiração pela coerência de seu pensar e minha homenagem especial. Recebi um e-mail hoje com texto de Martha Medeiros que termina dizendo que nós mulheres nascemos com o dom de detectar o sagrado das pequenas coisas e a empatia Inesperada que pode estimular confidências nunca feitas.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Dia do Médico

Dos que escolhem a medicina, além de competência, eficiência e eficácia mais que praticarem a empatia e capacidade de ouvir, se exigem que sejam “sobre humanos”. Acredito que todos nós temos motivo para agradecer a estes profissionais que salvam vidas, curam e amenizam sofrimentos. Se não fomos nós que precisamos deles foi alguém da nossa família ou um amigo. Certamente, são vários os que hoje merecem ouvir: Doutor, você estará sempre no meu coração e tem minha eterna gratidão.

sábado, 13 de outubro de 2018

Obrigada professor

"De professor todos temos um pouco" Os que trabalham em uma escola, em qualquer função tem muito. Minha gratidão às dezenas de educadores e educadoras que participaram de eventos com os quais de forma colaborativa dividi vivências e experiências especialmente a toda a equipe da Escola onde trabalhei por nove anos: Ana Paula, Ana Paula, Analice, Andréia, Antônio, Aparecida, Benjamin, Carla, Cláudia, Conceição, Conceição, Dulciane, Eliete, Elis, Elisabete, Eva, Evelin, Francisca, Francisca, Gilsom, Graça, Gracielle, Haroldo, Isabel, Isabel, Juliana, Karla, Lima, Lucilene, Luis, Luiz, Luiz, Marivaldo, Nilza, Paulo, Paulo, Regina, Rosa, Rose, Rose, Socorro, Tiago, Valdinete, Vanessa, Vânia, Vilmacy e outros (perdoe-me se esqueci alguém) que acreditaram na iniciativa de criar uma escola diferente: solidária, alegre, afetividade pura e compactuaram comigo minhas idéias e meu pensar educação. Voces são os responsáveis pelo que consta no Livro: Meu nome é Ceilândia, pág 78, o qual provocou em mim um sentimento de satisfação e valorização: "Hoje temos a Ceilândia... da professora Rosa de Siqueira e o projeto radicalmente novo e humano da Escola Novo Caminhar, sua proposta pedagógica diferenciada , uma concepção de fato, libertadora, educando para a transformação, a liberdade, a cidadania." É evidente que tenho muito a agradecer aos que foram meus professores, especialmenete, a Maria Léa e Edelzuita Leal. Mil vezes obrigada e parabéns a todos pelo dia do professor!

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Homenagem a Joaquim Roriz

São Francisco de Assis escreveu assim: “Louvado Sejas Meu Senhor por nossa irmã a morte corporal da qual homem algum pode escapar…” Hoje, como coroamento de sua caminhada, parte Joaquim Roriz. Sua existência pautada pela empatia deixa uma história com síntese positiva. É inegável que deixa saudades em milhares de pessoas: amigos, parentes, família, que hoje lamentam a sua partida choram ao despedir-se de um ser humano que marcou a história de muitos. Hoje em Brasília está faltando ele, um de seus cidadãos honorários e, como na canção do Sérgio bandolim: “...e nos seus olhos era tanto brilho... Eu fiquei sua fã…” Joaquim Roriz também atravessou o calvário da doença. O sofrimento para nós é carregado de mistério, difícil de aceitar, difícil de suportar, especialmente, quando vivido na vida dos que estão próximos, na própria história. Certamente, em especial para a família de Roriz, seus corações foram cortados por terríveis dores ao perceber que ele se deparava com a proximidade certa da morte. Sabem porque fiquei sua fã? Em 1988, eu, como pequena empresária, contrai uma dívida para construção de uma escola. Naquela época eu ficava sem entender as políticas sociais vigentes. Algumas pessoas recusaram emprego na citada escola dizendo que se fossem contratadas perderiam os benefícios governamentais. Sem condições de arcar com o contrato bancário a dívida quase me levou ao desespero. Resolvi solicitar a ajuda do Governador que era muito querido no local. Em frente a escola havia uma invasão e ele esteve lá abraçando as pessoas. Eu e meu sócio resolvemos escrever uma carta solicitando sua intervenção para renegociação da dívida. algum tempo depois comparecemos a uma reunião com ele num setor nobre de Brasília. Foi aí que seu discurso me encantou. Ele disse saber muito bem a necessidade de criar empregos para dar mais dignidade às pessoas mas, enquanto lutava para isso, daria alimento as crianças. Disse que prometeu a Maria, mãe de Jesus, que as crianças teriam alimentação adequada em seu governo. Citou como grande crueldade crianças que careciam de pão pela manhã. Ao descer do palanque resolvi mostrar o símbolo da escola na camiseta que usava e me dirigi a ele dizendo: - Governador a escola! Ele me olhou carinhosamente dizendo: - Eu me lembro, do financiamento! Meu coração disparou. Como um governador com centenas de assuntos a tratar e problemas a resolver pode se lembrar de um assunto individual que soube por uma carta???!!! Fez sinal para me aproximar, abraçou-me com afeto, chamou seu Secretário Particular e disse a ele. Dá seu celular para ela vamos ajudá-la a renegociar a dívida. O que sei é que a dívida foi renegociada baixando 44% do valor, vendemos a escola recebendo o que havíamos investido, o comprador assumiu a dívida e a quitou. Obrigada Joaquim Roriz! Espero que esteja se divertindo junto a Dom Juvenal Roriz um ser humano alegre, inteligente, expansivo, irreverente, brincalhão, que gostava de aprontar molecagens com as quais se divertia, dando boas risadas ao contá-las e que muito me ajudou na adolescência. i

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Deficiente Intelectual - Pra você ai no caixão

Lucigenio, homem criança onde morou o sorriso, só quem convive com uma pessoa como você sabe que as pessoas deficientes são um mistério. Você não conseguia ver o mundo e as pessoas da mesma forma que as pessoas ditas normais na sua condição de deficiência intelectual que muitos consideram doença. Cada ser humano tem seu jeito de viver e caminhar. Alguns querem voar a maioria apenas caminha e alguns mal conseguem se arrastar, pois possuem dificuldades de entender, de se expressar, de abstrair, de generalizar além de pouca iniciativa e criatividade como você. Você e nós passamos por várias situações de preconceito como quando morávamos em um apartamento e tudo que acontecia de errado no bloco era atribuído a você. Você viveu sua vida na condição de deficiente intelectual e foi muito comunicativo, Sempre confundiu a atenção das mulheres. As que te olhavam com certo carinho, sorriam para você, conquistavam seu coração, ultimamente, você dizia estar apaixonado que seu coração doía de amor. Será que ele estava doendo de verdade por algum problema que deixou de ser percebido? Nunca saberemos

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

UM MENINO E TANTO

Depois que meus dois primeiros filhos, falecerem por terem sido gerados com má formação genética, por mais que desejasse gerar um ser para amar mais do que a mim mesma sabendo ser a experiência mais extraordinária da vida, o receio era imenso. Já quase no limite ideal para ser mãe quando percebi que estava grávida a alegria foi imensa. Procurei me cercar de cuidados. Por se tratar de gravidez de alto risco as consultas do Pré Natal eram semanais. Acometida com anemia embora seguindo as orientações alimentares aumentando a ingestão de couve, espinafre, beterraba, fígado e outros como o açaí que meus colegas do norte do Brasil me traziam tanto os frutos como folhas para fazer chá, e dos medicamentos orais, como era necessário, tive que enfrentar o medo e tomar medicação injetável. Tomei quarenta injeções de Fol Sangue. Tudo valeu a pena quando vi aquele rechonchudo que acabara de nascer. Naquele momento eu renasci, era como ter o mundo nas mãos, sentia que veio para melhorar o mundo. Ele me deu a luz. Foi um inexplicável misto de boas sensações esperançosas. Não tardou e aquele serzinho começou a mostrar a que veio: tinha apenas três anos de idade. Como sua irmã tinha apenas dois anos a prioridade era para ela. De manhã ele era compelido a tomar banho, se vestir e calçar sozinho, enquanto tentava dar o máximo de si, eu o apressava: - Rápido, estamos atrasados, sai do banho, vista logo, calce as meias e o tênis, depressa Tire a camisa e vista de novo, está do avesso a frente está para trás. Nunca me dei conta de que tais atividades eram ainda muito difíceis para sua idade e seu nível de desenvolvimento. Ele por sua vez repetia que era grande e tentava me atender. Com um ano e seis meses deixou fraldas, chupeta e mamadeira levantava-se sozinho para ir ao banheiro durante a noite e não conseguia voltar para a cama, deitava-se no primeiro local macio que encontrava pelo apatamento: no sofá, nas almofadas, nos tapetes. Certo dia, na semana que antecedia o dia das mães, fui buscá-lo na creche. Ao me ver tomou-me pela mão e disse: - Vem cá mamãe e levou-me até sua sala onde estavam expostos desenhos que a turma fizera retratando cada um sua mãe. Levei um enorme susto quando apontou por um desenho que se destacava dos demais, todo com pincel atômico preto uma figura humana com as mãos para cima, grandes olhos, cabelo despenteado e me disse com a voz de quem nem sabia falar direito: Essa é você, você tá bava, amanhã eu desenho uma mamãe boazinha tá bom!? Falou confirmando sacudindo a cabecinha. Naquele instante me dei conta de que estava exigindo dele atividades e tarefas além de sua maturidade e nível de desenvolvimento, agindo como se ele já fosse capaz de se virar sozinho fiquei envergonhada e a primeira coisa que fiz foi olhar para todos os lados para ver se alguém da escola havia presenciado a cena. Sai dali o mais depressa que pude e, é claro que depois procurei a professora para conversarmos e passei a dar a ele maior ajuda para se arrumar todas as manhãs. Hoje sei que ele tem muito jeito e gosta de desenhar, mas, naquela época nem percebi que seu desenho, aos três anos, já mostrava uma figura humana completa. Felizmente, mesmo que tenha demorado dez anos, ele finalmente, desenhou a mamãe boazinha. Ele tinha quatro anos quando inesperadamente e com segurança me diz: Mamãe eu escolhi você pra ser a minha mãe! - Escolheu?! Perguntei - Sim mamãe, eu sonhei que eu era apenas um ponto de luz e via um montão de mulheres. Eu estava lá para escolher uma para ser minha mãe. E ai eu escolhi você! Há pessoas que já nascem decididas enfrentam perguntam, pedem e querem aprender Assim é meu filho Gabriel Com seis anos de idade foi com o pai e o irmão com problemas mentais até o aeroporto nos deixar eu e minha filha Natalia para viajarmos até João Pessoa no Estado da Paraíba Algumas conexões escalas e horas depois chegamos Imediatamente telefonei para avisar que chegara e tudo estava bem O telefone de minha casa tocava até cair a ligação sem ninguém atender Depois de algumas tentativas resolvi ligar para minha irmã e ouvi uma frase horrível: – Francisco, o pai distrído, esteve aqui chorando disse que perdeu os meninos e você vai matá-lo! – Vou mesmo! Respondi Passei algumas horas preocupada ligando a todo instante e preparando o retorno Já no final da tarde Gabriel atende ao telefone e explica:  Mamãe meu pai deixou a gente no Parque da Cidade e eu vim embora com o meu irmão Como foi isto? Perguntei (afinal ele tinha apenas seis anos) Ele então esclarece:  Avistei a Torre de TV, fui até lá com meu irmão. Quando parou um ônibus, perguntei se ia para a Rodoviária expliquei que meu irmão era deficiente, pedi carona. Lá procurei um guarda para saber qual era o ônibus para Taguatinga Sul pedi carona de novo, expliquei para o motorista que meu irmão tem problema e viemos embora Ufa! Que alívio e que orgulho por ter um filho corajoso e capaz de tomar iniciativas assim Sempre desejei que meus filhos tivessem capacidade de resolução e nunca esquecerei quando Gabriel, adolescente, foi entregar o Calendário Escolar de nossa escola na Secretaria de Educação do DF para aprovação. Ao se identificar na Portaria do Palácio do Buriti, foi informado de que estava impedido de entrar por estar usando uma camiseta sem mangas. Imagine um dia de verão, muito calor, depois de viajar uma hora e meia num ônibus lotado e nada resolver por falta de uma manga de camiseta. Foi ai que usando de criatividade, tomou uma decisão bem inusitada e inteligente, dirigiu-se a uma banca de jornal ali próximo solicitou um jornal velho e improvisou as mangas. Ao retornar a recepção perguntou: - Agora posso entrar? As pessoas presentes, pegas de surpresa, começaram a rir e a atendente só poderia permitir a entrada. Acredito que foi a decisão mais inesperada, imprevisível e surpreendente que alguém poderia imaginar. É demais esta criatura que veio para ser única e insubstituível. Existe para fazer diferença no mundo. Hoje passa dos trinta e continua generoso, criativo, estudioso, honesto, altruísta, autêntico, competente e convicto.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

PAPAI, MINHA GRATIDÃO


 


Todas as pessoas, sempre têm a quem agradecer. Pai nenhum pode despedir-se da vida sem ouvir um especial “muito obrigado” daqueles para os quais deu a vida, o tempo, a paciência e, acima de tudo o AMOR incondicional... Possivelmente, o meu pai, assassinado cruelmente tenha partido sem ouvir tal frase. Desculpe papai... Segundo Domingo de agosto é o dia do maior e do mais sincero de todos os agradecimentos. Em casa, na escola, com um presente, por carta, com um sorriso, com uma lágrima, com uma saudade, no silêncio, com uma prece... Muito obrigado papai pelo tempo que deixei passar sem nunca lhe dizer muito obrigado. Obrigado pela sua presença em minha vida, pelas lições de mestre, pela prudência, pela educação, pelo perdão, pela calma, pelo sim pelo não, pelo exemplo de honestidade... Obrigado por ser meu herói, pela confiança que em mim sempre depositou. Nos meus altos e baixos sua presença é como uma linha reta. Pai de mãos fortes que me seguram e protegem. Obrigado por eu ter reconhecido na sua pessoa, na minha vida, na minha casa, alguém semelhante com o Deus que você me ensinou... E, aqueles, cujos pais já se foram para a eternidade e que tudo dariam para deles receberem um abraço, uma palavra, um aperto de mão... a nossa prece, a nossa oração e o agradecimento eterno pelo bem que fizeram, pela alegria que compartilharam, pela vida que doaram, pelo amor que construíram... Nesta oportunidade quero descrever como era meu Querubim de Botina – meu pai, Príncipe do conhecimento, simboliza para mim o reino das idéias com a missão especial de transmitir a sabedoria. Era capaz de ficar um tempão, matutando, planejando um invento. Do seu jeito bronco e machão era um homem de sete instrumentos que usava de suas capacidades para ajudar e proteger as pessoas. Trabalhava incessantemente para que a família e muitos outros parentes que recebia em casa tivesse uma vida melhor. No inverno era construtor, na primavera e verão cuidava das plantações e no outono colhia o que plantava. Como construtor era capaz de construir desde grandes e pequenas casas até prédios como escolas, igrejas com torres e pontes, desde a fundação, construção, acabamento e até proteção como pára-raios. Sessenta anos depois, o que construiu permanece firme e seguro trabalhando nelas era o Engenheiro, o Calculista, o Responsável Técnico, o Mestre de Obras, o Pedreiro, o Serralheiro, o Carpinteiro, o Pintor, o Azulejista, o Bombeiro Hidráulico, o Eletricista e até o Marceneiro. Na agricultura era um sábio, plantava arroz, feijão, mandioca, milho, cana-de-açúcar, soja, gergelim, amendoim e frutas. Orientava em que lua plantar, com o que adubar, o melhor momento para a colheita e até como utilizar adequadamente as folhas de fumo para fazer tabaco. Sabia como manusear o café que era tido como dos mais saborosos. Apontava o ponto correto do melaço de cana para deixá-lo como melado ou no ponto da rapadura. Elaborava muitas das ferramentas usadas e confeccionava coxos, gamelas e monjolos. Além disso, era Barbeiro e trabalhava com vidraçaria. O que foge de meu entendimento é o que fazia como juiz de paz com concessão de poderes pelo Juiz da Comarca. Tendo freqüentado a escola por apenas um mês, tinha poder de polícia, podia realizar audiência para resolver pequenas causas, como intrigas de vizinhos, questões familiares, como brigas de casais e reconhecimento de paternidade, podia prender e encaminhar infratores e realizar casamentos. Eu mesma ia até a construção ou a roça onde trabalhava avisá-lo que os noivos, quase sempre a cavalo, haviam chegado para o casamento, pois o tempo da viagem era incerto. Era um líder comunitário que recebia as pessoas para obtenção do Título de Eleitor, com preenchimento dos formulários, fotografia e demais providências. Nas campanhas de saúde para verificação de doenças como malária retirava o sangue, encaminhava ao laboratório, distribuía e orientava o uso da medicação. Além disso, receitava homeopatia para as doenças consideradas mais simples e sem muito risco de morte. Consultava um grande livro antigo para diagnóstico e tratamento. As visitas tanto dos amigos, fazendeiros e qualquer trabalhador além das importantes, como padres, prefeitos e outros autoridades, podiam contar com hospedagem e alimentação na residência e por conta dele. Eram verdadeiros banquetes oferecidos aos visitantes. Gostava muito de festas e se divertia a valer nas festas juninas, nas folias e festas religiosas. Todos os domingos dirigia a Celebração da Palavra, lendo e comentando a Bíblia, rezando ou cantando novenas, ladainhas e terços, presidia a organização do Congregados Marianos e era o leiloeiro das doações em prol da construção da Igreja. Acredito que, pelo que foi em vida, pode morrer perdoando o assassino e dizendo até o momento do último suspiro: “Tudo bem Graças a Deus!” Pai, ao visitar a Vila onde vivi dos cinco aos quinze anos, ao olhar para uma Igreja preservada, inteira, sem rachaduras ou algo que aos olhos de leigos tenha sido mal feito, com torre, forro, vitrais e até pára-raios, iniciada em 1958, planejada e construída por você, um semi-analfabeto, passei a creditar mais ainda que tudo é possível. Sem “Cálculo Estrutural”, nenhum órgão aprovou a planta. Porque deu certo? Certamente, nada foi realizado aleatoriamente, você lia, perguntava, pesquisava, observava. Sem dúvida, foi um respeitado senhor, era líder político e religioso que vestia seus trajes grosseiros feitos em casa por sua esposa, plantava, capinava e colhia, era Juiz Distrital além de ser um criativo inventor – me lembro que com sucatas construiu sua cadeira de barbeiro que girava, subia e descia, possuía apoio para a cabeça – trabalhava extremamente motivado, gostava do que fazia, era capaz de aceitar desafios! E acreditem, só frequentou a escola durante um mês. Era meu pai, GERALDO.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Brasília

Tenho a honra de morar, na cidade mais linda do Brasil, que vem crescendo com seu visual magestoso. Arquitetura deslumbrante, espaçosa, endereços diferentes, formam, um todo belo e harmonioso. Natureza prodigiosa, verde em toda parte, flores que encantam, por-de-sóis magníficos enchem todos de emoção. Regiões Administrativas como os órgãos do corpo unidas cidade asa, borboleta ou avião, é o formato do coração. Sua cultura é das mais ricas e diversificadas do Brasil, seu povo criativo é mesmo fenomenal e toca corações. Gastronomia vinda de muitos locais diferentes, lembra a muitos de onde vieram, e traz muitas emoções. Aqui todos são bem vindos, qualquer gênero, etnia, crença ou condição, quem pretende estudar e trabalhar. Nesta cidade abençoada, sonhada por D. Bosco, há oportunidade para todos que aqui vier morar. Este povo lutador, corajoso e solidário que luta para a melhoria, que busca o saber, que pesquisa e cria Pode dar asas a imaginação e acreditar que aqui, é possível encontrar, a sonhada melhoria. Maria Rosa de Siqueira

quarta-feira, 18 de abril de 2018

AGRADECENDO AO HOSPITAL SÃO FRANCISCO - CEILÂNDIA-DF

Saindo de uma internação hospitalar Há trinta anos estando acostumada (a gente se acostuma, mas NÃO devia) com os percalços e o tratamento (infelizmente) desumano de alguns profissionais de hospitais públicos que, somente para comprovar, cito algumas frases ouvidas: - O feto (meu filho ainda no útero) está morto, provavelmente, a mais de um mês, mas como inexiste vaga, no momento, pode ficar, até dois meses, sem problema. Venha amanhã, as quatro da manhã, para fazer o cartão. Vale mencionar, que eu estava há quatro dias com um pequeno sangramento. Como conhecia uma pessoa maravilhosa, parente do Chefe, que solicitou e obteve solução imediata, tive medo, e optei por outro hospital. No Pronto Socorro para onde me dirigi fui recebida com a frase: O que você fez para matar seu filho?! E mais ainda: no dia seguinte um recém-chegado ao plantão pergunta: Por que esta menina tá internada? Eu, imediatamente respondi que meu nenê estava morto o ouvi: Só por isso? È necessário constar: chegou um médico anjo que me atendeu super-bem, até mesmo quanto implorei que evitasse cezariana, ai então, tempos depois, fiquei muito surpreza e satisfeita quando fui internada em um excelente hospital de elite (por um convênio) com um atendimente que parecia bom demais para meus merecimentos. Hoje saio de uma internação, pelo mesmo motivo, com um bom tratamento. Quero deixar registrado meus sinceros agradecimentos a equipe do Hospital São Francisco e, especialmente as copeiras, que me socorreram com meu vício por café e as nutricionistas que providenciaram um prato de refeição mais colorido que os primeiros sem esquecer que houve, alguns pequenos atentados a minha carência, por intolerângia ao meu tagarelar constante. Peço ainda, desculpas ao Lucas e reitero os agradecimentos citando que sentirei saudades de todos.

Dia do Cérebro